Terça-feira, 31 de Março de 2009

REVISTA DE IMPRENSA

 

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1371755&idCanal=11

 

http://www.nytimes.com/2009/04/01/world/africa/01migrant.html?_r=1&ref=global-home

 

http://www.acidi.gov.pt/modules.php?name=News&file=article&sid=2811

 

http://www.mundoportugues.org/content/1/4351/apoio-aos-emigrantes-gabinetes-ate-final/

 

http://www.panapress.com/freenewspor.asp?code=por003304&dte=28/03/2009

 

http://www.agroportal.pt/x/agronoticias/2009/03/27b.htm

 

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Sexta-feira, 27 de Março de 2009

Sentir-se Português em Goa

Não é por acaso que nos definimos como povo pelo traço característico da saudade. E talvez a maior parte de nós não possamos defini-la em toda a sua significância e em todas as cambiantes do sentido que encerra. Ou, como escreveu José Augusto Seabra, citando Santo Agostinho, talvez a saudade seja um desses símbolos chave que cristalizam, em momentos críticos, as aspirações ainda indefinidas dos que não se resignam à fatalidade do pior, nem fecham os olhos diante do abismo, mas buscam, mesmo tacteando, algumas clareiras no presente e no futuro. A saudade pode ser, assim, a cristalização do carácter profundo dum povo.


Prefiro-a assim, abrangente, de contornos indefinidos, para cobrir toda aquela nostalgia dum português pensante, nostalgia que é de um passado ou de um futuro, de todo o tempo e de tempo nenhum, sentimento de alegria e de doce prazer às vezes, delicioso pungir de acerbo espinho noutras, como escreveu Garrett, ou até sentimento de perda e desejo de reencontro com o paraíso perdido ou com Deus, como sentiu Teixeira de Pascoais.

Escrevo esta pequena crónica numa noite de lua cheia que se reflecte sobre as águas calmas do rio Mandovi, em Goa, mais propriamente em Pangim. É que daqui, da varanda fechada do velho Hotel que do rio tomou o nome, onde ainda se fala português com um senhor chamado Camotim, forçado a chamar-se agora mister Kamot, faz-se rapidamente a viagem de regresso ao passado, imaginam-se facilmente as caravelas subindo o rio, ouvem-se ainda os canhões de Albuquerque e sucessores, adivinha-se a epopeia da fixação dum povo vindo do outro lado do mundo para se enquistar aqui, nesta terra de monções e maleitas, quente e húmida, que representava então o futuro do comércio das especiarias.


Passamos pelas ruas escalavradas de passeios altos, levantamos os olhos e reconhecemos as varandas coloniais portuguesas, os telhados de telha de quatro águas, a volumetria das repartições da administração colonial, os nomes importados que aqui criaram raízes e prosperaram ao longo de mais de quatro séculos. E assola-nos então o tal sentimento indefinido a que chamamos saudade: adivinhamos vidas aqui cumpridas, recordamos nas lápides tumulares portugueses sepultados na terra que amaram e fizeram sua, damos conta da miscigenação que se desenvolveu e fez da gente deste hoje minúsculo estado da imensa Índia um povo à parte - um goês é um goês antes de ser indiano - diz-nos o condutor que nos conduz até à praia de Miramar.

 

É um sentimento estranho, porque vem sempre acompanhado duma nostalgia de epopeias e da frustração dum presente onde mal se pode descortinar um futuro. Já não somos um povo de epopeias, reduzidas que foram estas a umas migrações por essa Europa fora no tradicional desenrascanço de ganhar a vida, e muito menos de quinto império, já que outros nos tomaram esse tipo de megalomanias, e se a única epopeia em que se tornou o duro viver do dia-a-dia pode ainda autorizar-nos a sonhar com um futuro colectivo, esse futuro não poderá desenhar se senão no espaço geográfico alargado em que hoje compartilhamos alegrias e depressões, sucessos e crises.

 

Nem por isso devemos sentir-nos menores: as marcas da nossa presença traduzem as realizações de sonhos de um povo que sonha e sempre sonhou com o bem-estar muito mais longe da sua porta. Se o acordar do sonho é por vezes penoso, que nos fique dele ao menos uma imagem devolvida pelo espelho da História: talvez não fôssemos melhores nem piores que outros, mas fomos seguramente diferentes. Essa diferença marcar-nos-á certamente também no futuro. Cabe a cada um de nós defini-lo e caracterizá-lo.

Das marcas deixadas, impressionam os monumentos religiosos que caracterizam as nossas descobertas. As monumentais igrejas ou as modestas capelas, donde se destacam naturalmente a igreja do Bom Jesus e a Catedral de Goa. Em construções muito mais modestas que as precederam, ficou patente o cunho da religiosidade dos nossos navegantes, atestado pelas capelas de Santa Catarina e de Nossa Senhora do Monte, mandadas construir por Afonso de Albuquerque. Mas também as edificações militares atestam a nossa presença, sendo de destacar, pela sua dimensão e posição defensiva, o forte da Aguada.


Nestas marcas, como nos nomes ou nas memórias dos que nos reconhecem, temos necessariamente de nos sentir parte duma herança secular, e talvez seja nestas paragens, longe das quezílias de paróquia do nosso viver presente, que encontramos a certeza da nossa identidade colectiva.


Fernando Gouveia
 

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Quarta-feira, 25 de Março de 2009

Concurso de Fotografia - Regulamento já está disponível

Já se encontra disponível o regulamento do Concurso de Fotografia "Olhar para Integrar", promovido pela AMI no âmbito do Fórum Internacional "Encontro de Culturas - Ouvir para Integrar".

 

Os trabalhos a concurso deverão ser enviados até ao dia 17 de Abril, junto com o formulário de inscrição, a declaração de cedência de direitos de autor e o regulamento assinado.

 

Para mais informações, contactar ouvirparaintegrar@ami.org.pt.

 

Não desvie o olhar, participe!

 

 

 

 

publicado por Ouvir para Integrar às 11:46
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Terça-feira, 24 de Março de 2009

Revista de Imprensa

 

 

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1370642&idCanal=11

 

http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=129925

 

http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1179134

 

http://www.unmultimedia.org/radio/portuguese/detail/161358.html

 

http://www.nytimes.com/cwire/2009/03/02/02climatewire-facing-the-specter-of-the-globes-biggest-and--9919.html?scp=1&sq=MIGRATIONS&st=cse

 

publicado por Ouvir para Integrar às 12:27
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Quarta-feira, 18 de Março de 2009

Concurso de Fotografia - Olhar para Integrar

No âmbito do Fórum Internacional “Encontro de Culturas – Ouvir para Integrar”, que decorrerá de 21 a 24 de Maio de 2009, a Fundação Ami decidiu promover um concurso de fotografia subordinado ao tema “Olhar para Integrar”.

Os principais objectivos deste concurso consistem na divulgação junto do público em geral, o Fórum “Encontro de Culturas – Ouvir para Integrar” e na promoção do Diálogo Intercultural.


A foto vencedora será divulgada na revista "AMI Notícias", distribuída como encarte na revista "Visão" e exposta junto com as dez melhores fotos numa exposição que estará patente no ISCTE durante os dias em que decorrerá o Fórum. Se estiver interessado em participar, complete o formulário e envie para ouvirparaintegrar@ami.org.pt. Receberá um recibo de confirmação.


O concurso está aberto a todos os interessados, profissionais ou amadores.
As fotos deverão ser enviadas num formato de alta resolução, ao alto.

Todos os candidatos deverão preencher e assinar uma declaração, autorizando a AMI a utilizar a foto em todas suas publicações, sendo que será sempre indicado o autor da foto.


Os trabalhos concorrentes deverão ser enviados até ao dia 17 de Abril em formato electrónico por e-mail, para ouvirparaintegrar@ami.org.pt. ou gravados num CD e enviadas por correio para Fundação AMI – Concurso de Fotografia “Olhar para Integrar”, Rua José do Patrocínio, 49, 1959-003 Lisboa.


O regulamento e o formulário de inscrição estarão disponíveis brevemente.

Esteja atento e não deixe de participar!

publicado por Ouvir para Integrar às 10:23
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Terça-feira, 17 de Março de 2009

"A minha alma está hoje aqui, em Portugal" - Testemunho de uma imigrante

 

Cheguei a Portugal no mês de Abril de 2000 logo depois de acabar a Universidade Politécnica de Timisoara Roménia, na Faculdade de Engenharia Electro Energética, curso acabado com uma Licenciatura de Engenharia de Energia Eléctrica depois de 5 anos de estudo universitário.
Fui-me embora do meu país de origem, a Roménia, com a perspectiva de uma vida melhor e com esperança de encontrar um país onde o facto de ser mulher não significava logo uma desvantagem, onde estava em pé de igualdade com os homens.
Em Junho de 2000, comecei a trabalhar em obras de construção civil como empregada de limpeza pesada, mas a maioria das vezes como servente numa equipa composta por mim, uma moldava e uma ucraniana. Para podermos comunicar, eu e a ucraniana, tivemos de aprender as duas a língua portuguesa. Aproveitava as horas de almoço, enquanto os outros estavam a descansar, para aprender a gramática da língua portuguesa. Em Fevereiro de 2001, fui promovida a empregada de limpeza nas vivendas de luxo nos Pinheiros Altos e tendo conseguido um bom contrato de trabalho legalizei-me na primeira onda de legalizações efectuadas em 2001.
Foi um período difícil da minha vida, com muitas humilhações, um tempo em que me senti explorada em troca de um ordenado irrisório mas não queria desistir de maneira nenhuma de sonhar que a minha vida ia melhorar num futuro não muito longe.
Tive a minha filha em Fevereiro de 2002 e depois dos 4 meses de baixa maternal, quando deveria regressar ao trabalho, o meu contrato não foi renovado, pois a empresa sentia-se prejudicada pelo meu direito de amamentar o que levava a que só trabalhasse cinco horas por dia. Enquanto desempregada, aproveitei para tirar o Primeiro e o Segundo nível de língua portuguesa como língua estrangeira, curso gratuito promovido pelo Instituto de Emprego e Formação Professional.
Em Março de 2003 comecei a trabalhar como Assistente Administrativa no Departamento de Contabilidade na empresa Crown International Services. Foi um teste que passei com brio.
Em Fevereiro de 2005, assinei a escritura do meu apartamento T2 em Almancil sendo a primeira romena a conseguir um empréstimo bancário sem fiador.
Em Setembro de 2006, entrei na Universidade do Algarve, Faculdade de Ciências e Tecnologia para conseguir através das equivalências por disciplinas a equivalência do meu curso universitário, mas desisti da Universidade para poder passar o pouco tempo livre que ainda tinha com a minha família e com a minha filha de cinco anos. Também não me agrada nada a ideia de perder o meu tempo com um curso que já tinha tirado e para qual tenho uma Licenciatura depois de 5 anos de estudo.
No dia 5 de Janeiro de 2007, assinámos a escritura da Doina Associação de Imigrantes Romenos e Moldavos do Algarve.
Decidi candidatar-me em 2007 e ganhei o concurso de EMPREENDEDOR IMIGRANTE DO ANO porque eu aprendi a ser feliz aqui, em Portugal, aprendi a amar a verdadeira amizade, aprendi a reencontrar-me na vida do dia-a-dia com optimismo e esperança, aprendi tudo isto e muito mais com os portugueses e é por isto que faço tudo para convencer que no fundo não existe nós e eles, existe só eu e os outros.
Porque não desisto quando é difícil e porque acho que a melhor conquista se obtém quando a luta é maior.
Porque não deixo de acreditar nos jovens e faço tudo para os ter ao meu lado em tudo o que realize.
Porque ensinei os portugueses a acreditar em nós, a confiar, a gostar de nós, e a nos amar. Choramos juntos nos dias de tristeza e celebramos todos nos dias de festa.
Porque se me perguntar onde é a minha casa não sei dizer, só sei que a minha alma está hoje aqui, em Portugal.

 


Elisabeta Ecaterina Necker
 

publicado por Ouvir para Integrar às 08:29
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Segunda-feira, 9 de Março de 2009

Encontro de Culturas – Ouvir para Integrar

 

 

Entendeu a Fundação AMI, em parceria com a Fundação Academia Europea de Yuste de Espanha, organizar de 21 a 24 de Maio deste ano em Lisboa, nas instalações amavelmente cedidas pelo ISCTE, o primeiro “Encontro de Culturas – Ouvir para Integrar”.
Este encontro, que se realizará, pela primeira vez, em Portugal (Lisboa), repetir-se-á periodicamente e alternadamente em Espanha e Portugal.
Mais do que nunca, impõem-se estes encontros, como as duas Fundações estão convictamente crentes, se pretendermos construir um mundo de concórdia e de entendimento, só possível com a edificação de múltiplas pontes de diálogo entre as diferentes culturas e religiões existentes no nosso planeta e, porque não um dia, no nosso universo.
É chegado o momento de, com uma determinação isenta de qualquer dúvida ou tibieza, pugnarmos para a Paz e concórdia mundiais: tal só será possível ser alcançado se não ostracizarmos ou diabolizarmos o “outro”, visto como “terrorista”, porque também nosso irmão.
Para isso, é urgente criar-se e aprofundar-se uma genuína Cultura do Diálogo a fim de que sejam enterradas, de uma vez por todas, as negativas, nefastas e conflituosas teorias dos “choques de civilizações e de religiões”.
Estou absolutamente convicto que é da nossa inter-relação pacífica e permanente que nascerá o novo paradigma humano que tanto ansiamos: mais tolerante, mais ecuménico, menos xenófobo, menos violento e menos indiferente perante o outro. Ouvir para melhor nos integrarmos mas não nos homogeneizarmos! Não vejo oposição entre multiculturalidade e interculturalidade!
“Comuniquemos, conversemos, dialoguemos, criemos pontes, interessemo-nos pelo outro, e não apenas por nós próprios e seremos então seres humanos muito mais valiosos.”
Eis a chave de ouro para o nosso futuro colectivo. É essa chave que procuraremos encontrar ou ajudar a fazer com os Fora Internacionais “Encontro de Culturas – Ouvir para Integrar” que agora começam em Lisboa e que se pretende continuem alternadamente em Espanha e em Portugal para os anos vindouros.
A esse respeito, Portugal, primeiro, e Espanha, a seguir, ao terem estado na implementação da verdadeira Globalização, e sendo dois países com enraizadas emigrações e imigrações, reúnem todos os requisitos para darem um contributo positivo na procura ou na elaboração dessa chave de ouro de que tanto carece a sociedade contemporânea.
Sejam bem-vindos ao Fórum. Obrigado e bem hajam. 
 
Fernando de La Vieter Ribeiro Nobre
Presidente e Fundador da AMI

 

publicado por Ouvir para Integrar às 09:12
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AMI - 25 Anos
Por uma Acção Humanitária Global

Sobre o Blogue

Este não é o blogue da AMI. É o blogue da Fatu, do Orlando, da Antónia, do Abdulai, da Rita, do Paulo, do Henrique, do Philip, da Maria, da Diana, da Fátima, e de todos os que participam no trabalho desenvolvido pela AMI, dando o seu contributo para a construção de um futuro diferente, melhor e mais justo. São voluntários, trabalhadores locais, funcionários, Amigos, que contribuem e acreditam neste sonho que se mantém há 25 anos… É deles este blogue, porque a AMI é feita de pessoas, de acções e de histórias. E se acredita que um mundo melhor é possível, este blogue também é seu…

Frase da Semana

“Somos todos uma nação, e não podemos resolver problemas se não nos virmos assim: uma nação com muitas culturas. Quando começarmos a pensar dessa forma, entramos no que chamo o verdadeiro princípio da história.”
Amin Maalouf

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